Simone Biles e burnout: uma super atleta não é uma super-heroína

Simone Biles, atleta americana da ginástica artística, abriu mão de provas nas Olimpíadas de Tóquio ao escolher priorizar a sua saúde mental, o que isso tem a nos ensinar?

Simone Biles, atleta de ginástica artística dos Estados Unidos, surpreendeu a todos quando decidiu não participar das finais das provas individuais nas Olimpíadas de Tóquio. A decisão foi tomada porque a atleta notou a fragilidade de sua saúde mental durante as competições e percebeu que era a hora de parar. Depois de anos de preparação e treinamento, a campeã  mundial de ginástica e maior medalhista em mundiais dos EUA abriu mão das provas não por qualquer problema físico, mas psicológico. 

A estrela da ginástica explicou que se viu sofrendo de “twisties”, um termo usado para designar a falta de noção do espaço quando se está fazendo acrobacias no ar. A falta dessa percepção é ocasionada por cansaço, esgotamento e estresse e pode causar graves lesões nos atletas da mesma modalidade. 

Reprodução/Instagram: @simonebiles

A decisão tomada por Simone reacendeu a discussão sobre saúde mental no esporte - e fora dele. Recentemente, a Síndrome de Burnout foi categorizada como doença pela OMS e passará a integrar a Classificação Internacional de Doenças. 

O quadro de burnout é caracterizado pelo estresse, esgotamento físico e falta de realização profissional. No Brasil, mais de 20 mil profissionais já pediram afastamento do trabalho por sintomas associados à síndrome. Vale pontuar que, apesar de nos parecer entretenimento, o esporte é o trabalho profissional de Simone Biles. Apesar da situação triste, a atleta ainda é privilegiada por ter a coragem (e a chance) de entender e poder escolher a hora de parar. Mas e quando essa opção não existe? O caminho é repensar a forma como nos relacionamos com o trabalho e reposicionar a nossa saúde mental na nossa ordem de prioridades.

Organize sua rotina 

O home office criou o desafio de separar a nossa rotina doméstica e social da profissional. Se você é do tipo que checa emails antes de levantar da cama ou trabalha até tarde porque não tem “nada pra fazer”, é hora de parar. Respeite o seu horário de trabalho e lembre-se de incluir suas tarefas pessoais na sua rotina, como o almoço, os exercícios físicos e o lazer. 

Separe os seus espaços 

Nada de trabalhar na cama ou almoçar na escrivaninha! Nosso corpo precisa entender cada espaço como exclusivo: a cama é nosso lugar de descanso, quanto a mesa de trabalho exige foco e disciplina. Separe os espaços da sua casa e, caso não for possível, evite ao máximo fazer duas coisas ao mesmo tempo. 

Entenda suas urgências 

As urgências do seu trabalho são mesmo urgentes? Muitas vezes nos desgastamos com o trabalho por culpa da nossa cobrança pessoal, e não da empresa. É importante entender se as coisas são urgentes de fato ou apenas pela sua cabeça. Às vezes, organizando nossa rotina e entendendo nossos prazos, não há necessidade de trabalhar sempre até tarde ou aos finais de semana. É claro que existem exceções, mas evite que elas se tornem regras. 

Exponha suas vulnerabilidades 

Simone Biles teve coragem de se mostrar vulnerável e continuou representando uma das atletas mais bem sucedidas do mundo. Não exite em pedir ajuda ou sinalizar quando algo não vai bem, seja como líder ou como subordinado. Todos temos problemas e muitas vezes eles podem prejudicar nosso desempenho - e não há problema nisso. Lembre-se que não existem super heróis e estamos todos no mesmo barco. 

Saiba a hora de parar 

Ao topar com seus limites, respeite a hora de parar. Escolha tirar folgas e descanse antes que o seu corpo (e a sua mente) a obrigue a isso! Organize-se para respeitar os seus  momentos de descanso e não os banalize. Às vezes, isso pode exigir uma maior organização financeira, principalmente quando se é autônoma, ou entre o seu time, para não prejudicar as tarefas do trabalho - por isso, mantenha-os sempre no radar. 

Procure ajuda

Não negligencie seu cansaço: ao perceber qualquer sinal de burnout, cansaço extremo, ansiedade ou depressão, causados pelo seu trabalho ou não, procure ajuda. Os psicólogos estão preparados para lidar com as nossas vulnerabilidades e saberão sempre como nos tirar desse lugar de esgotamento. Alguns profissionais atendem com preços sociais, ajudando também quem tem renda limitada. 

E lembre-se sempre: se até os super atletas precisam parar, nós também precisamos - e não há problema nenhum nisso. Ouça o seu corpo e a sua mente, e respeite o que ela diz!

 


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